terça-feira, 24 de maio de 2011

Ouça:

Cedo, abri as janelas. Vi esta cidade sem graça acontecer. Parei, olhei-me no reflexo de uma vitrine. Manchinhas no meu rosto, um sorriso ocluso. Esmagador fim de semana quando me descobri nascido pra ouvir. Ouvir sem esperar da vida melhor situação para sorrir. Amanhã começa nova data, mais um ano de vida, no anônimo jeito para dizer a mim mesmo: "É teu o dever da solidão?"
Por trás dos pretos óculos de sol (sem sol), a distância entre a imagem, a lágrima e o vento meio frio conspirou para um todo meio nada, de um monte de pouca coisa das emoções desgastadas de iguais verbos conjugáveis, que desta vez optou somente pela escuta. Aqueles aos quais dei ao préstimo de ser bom ouvinte, concluo: estão bem. Muito bem. A partilha de um cantinho de boa subjetividade deu para entender de que eu estou a algumas lacunas de igual felicidade, quando vinho, água, sorrisinhos lerdos estão mais a serviço deles do que de mim. Já é tempo pra renunciar? Não sei. De fato, não sei.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Dos céus a luz do meu desabrochar


Ele se olhava no espelho. Não sabia por qual razão mas gostava de ver como se expressava chorando. Digamos, era sua terapia particular. Com os olhos fixos na alma poderia entender por que passava por aquelas provações. As marcas acentuadas no rosto, ainda meio que leves já davam sinais de que o tempo pedia aos berros uma pontinha de amor próprio. A tal delícia de ser o que é.
Saiu de casa e foi se encontrar com amigas. Essencialmente parecidas, essencialmente marcadas por dores parecidas, o copo de cerveja no bar deu a todos os presentes um sorriso que dizia: por que não parar simplesmente e de luzes apagadas deixar o silêncio acalmar tudo?
Andando pelas calçadas, agora sozinho, descobria o viés da primeira solidão necessária. Não pensava nem queria crer em frases de revolução intíma. A consciência de saber que precisa transformar-se já é insconscientemente dolorosa. O mundo naquele instante pareceu de imenso vácuo... Do mesmo que se encontra nas estrelas. Nestas horas uma centelha do amor começou a nascer. Porque ali no jardim, olhando as flores foi que aprendeu: a vida é demasiada generosa para o nosso desabrochar. O que fazem essas plantas tamanha exuberância pedindo tão pouco pra viver? Concluiu que era a luz... o elemento que faltava.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Personartis

Assim se procedeu a conversa:

Eu sei... Buenos Aires q reflita sobre isso...
foi naquelas ruas q eu me sentia qdo a saudade de ti me corroía por dentro
eu imaginava o frio como uma bela paisagem e carregado das dores ele mesmo nem sabe porque provocar
entre o belo e a dor, a liberdade de está contigo onde quer que tua voasse..as coisas te chegam e te levam para lugares que eu mesmo duvido
e eu aqui te vendo de dedos livres e mãos atadas
sem saber qdo é que voltas
tenho medo de não me conheceres

Não pude deixar de me contentar em imensa alegria, quando da dor e do verbo nasceu o que chamo de personal-art, porque só assim colocamos certas coisas nos seus devidos lugares.

De Janaína Soul, a melhor escritora iniciante que eu conheço.

Soul- Do inglês, espírito, alma, essência, parte principal

Desculpe... ando meio desacreditada de mim.
Isso foi a primeira coisa que ela me disse depois de severas e curtas insistências. "Mas seu tivesse o dom dos meus grandes amigos, escreveria a solidão da madrugada de um andarilho urbano" Aí indaguei: Então escreva! O andarilho está frustrado simplesmente porque não está andando em lugar nenhum.
Gosto de suas personagens
elas me deixam mais perto do teatro
umas das minhas primeiras paixões...
me fale dela? Como vou falar dela quando falo com o desejo de minha propria inspiração?
Disso eu me assegurei que ela sabia. Aliás sentia também.
Mas acho que não porque ela terá de se libertar das sentenças como Isso me incomoda de tal forma, que eu num consigo fazer nada além de ficar num estado de tristeza profunda.

No íntimo
Entrego a ela
O meu licor de inspiração

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Para sempre com você Oh My Dindi!


Foi assim, com um tchau, que ele se levantou e desceu do ônibus. Olhou pro moço lá fora e com um sorrisinho meia-boca deu a seguir seus pensamentos. Pensou: " E seu eu me casasse com esse tipo?" Enquanto pensava nisso e fantasiando um monte de outras coisas, Astrud Gilberto cantava Dindi . Juntou duas situações e começou a prestar atenção na parte que dizia "...If I only had words I would say all the beautiful things that I see when You're with me". Viu-se vestida de noiva saindo nos braços dele em plena segunda-feira de chuva, tal qual era o dia de hoje. Molhados poderiam rir... Sentados na escadaria da igreja comendo um bombom. Isso tudo, ela ria muito. Não era lá muito típico as mulheres pensarem seus casamentos assim, molhadas e comendo chocolate. Mas foi assim que seu coração e imaginação concebia seu instante de felicidade. Quando a música acabou, fechou os olhos, rendia-se aos pinguinhos de chuva que passava pelas frestas da janela. Sozinha, abraçou a si mesma. E pedia que fosse com ele. O resto de todos os seus dias. Fazer da simplicidade sua bandeira de amor.

sábado, 20 de novembro de 2010

O MUNDO ESTÁ EM DÚVIDA SOBRE O QUE É CRIATIVIDADE

Quem acredita que nasceu na época certa?
Olha tudo a teu redor e concorda com o que vê?
As mãos...estão prontas mais a dar do que receber?

Se cada época teria sua solidariedade
Passamos por tempos precários
Hilários
De má criação, restando aos escritores, poetas e artistas o legado da beleza

O mundo está em dívida com a criatividade

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Da tua alma essencialmente meus lírios


Depois da conversa idiota que ele teve pela noite, sentou num canto do quarto e chorou copiosamente. As crenças que criou em alguns anos sempre muito contestada, muita coisa para aquela hora inoportuna. Misturado a tudo isso (e se não de fato seu pano de fundo) os assuntos polêmicos do... Todo mundo sabe o que é.

Olhava tudo a sua volta, tudo era sem graça, sem a graça. Palpitavam nas idéias o quanto era ingênuo, o quanto era devoto das pequenas mudanças pessoais, encerrando em sistematizar o que seria uma vida harmônica. O corpo doía muito, os ossos da face também. Os olhos sumiam num espelho particular de lágrimas.

Saiu do quarto... Sentou numa cadeira de balanço junto ao jardim e conversou com as flores que brotavam em plena madrugada. Abriram-se os lírios, num laranja tão intenso que só ele fosforecia madrugada afora. Começou a chover. Tudo e todas as coisas da natureza entendeu o estado da alma do seu solicitante e ficou ali, deixando que trovões e toda aquela imensidão de água lavasse as desesperanças. As águas tocaram-lhe os pés, depois as pernas, até chegar na cabeça. Estava com água até o pescoço porque além da chuva continuava seu choro.

Todo seu corpo se dissolveu. Virou semente de um lírio.

Quando as águas abaixaram, lá fora somente a cadeira, balança ao impulso dos ventos uivantes.

No dia seguinte perguntam "e ele, cadê?". O sol resplandecente despertou as plantas no jardim e disse a uma das pessoas preocupadas: "Virou um lírio. Este amarelinho que vai surgir aqui. Porque a flor é a expressão mais sublime da vida, a mais delicada, e a mais forçosa, corajosa. Seu desabrochar é lindo e radiante. Mas que antes disso, pra nascer teve que morrer. Nenhum lírio nasce de seu corpo velho. Morre pra nascer de novo. E eis aqui a resposta que queria."

Todos muito envergonhados recolheram a cadeira, as palavras, e o caderninho de poemas, de rezas e coisas afins. Segurando virou terra. Pela primeira vez sentiram medo. Porque não sabiam que sorte teriam numa próxima chuva...