Colocar os dedos sobre este teclado. Começar a escrever é como se desfiasse aos poucos, os fios da minha estima. Um oco silêncio reverbera nos meus ouvidos, e uma aritmia fora de hora me contempla minutos de uma ansiedade parada. Estática.
Escrevo como um último recurso, para uma apreciação de mim mesmo, uma tentativa especular de me ver por dentro. Ou de me achar ridículo, ou de me achar um constante errante.
Pela primeira vez acho muito sérias as minhas palavras. Com medo delas. E eu acho que choro com tanta sinceridade que sinto as lágrimas tocando os meus pés.
A fragilidade humana tomou conta de mim, nesta fraçãozinha de hora.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Delicatesse
[link=http://www.musicas-especiais.com][red]Bebel Gilberto - Samba Da Benção[/red]
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sábado, 23 de julho de 2011
Navalha das Nove Horas
Olhos lacrimenjantes
Manhã cerrada com a navalha de verdades
Era para me lastimar mesmo aquelas palavras?
Não tem recorte modesto
Quando vejo que do amor ao asco é um segundo
Um segundo pra mudar
Um dia inteiro de vãs expectativas
E o café desceu amargo
Mais que o usual
e olhava no espelho e pensava: poderia ir mais além?
Enfiou as mãos dentro do espelho
Tocou na propria face e se deu carinho
E sorriu mais uma vez.
Saiu e foi para a janela
Ver o sol desta era, de gente medrosa e doente
O mundo movimentava conforme seu atraso
Mas eu aponto o lápis e viro a página
Ainda sem tempo para escrever...
Sem o tempo para reescrever
Mas com o tempo de ver
Que do lado de lá, tem as flores cintilantes que me abrem as portas para o amanhã. Com um pouco mais de glória.
Manhã cerrada com a navalha de verdades
Era para me lastimar mesmo aquelas palavras?
Não tem recorte modesto
Quando vejo que do amor ao asco é um segundo
Um segundo pra mudar
Um dia inteiro de vãs expectativas
E o café desceu amargo
Mais que o usual
e olhava no espelho e pensava: poderia ir mais além?
Enfiou as mãos dentro do espelho
Tocou na propria face e se deu carinho
E sorriu mais uma vez.
Saiu e foi para a janela
Ver o sol desta era, de gente medrosa e doente
O mundo movimentava conforme seu atraso
Mas eu aponto o lápis e viro a página
Ainda sem tempo para escrever...
Sem o tempo para reescrever
Mas com o tempo de ver
Que do lado de lá, tem as flores cintilantes que me abrem as portas para o amanhã. Com um pouco mais de glória.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Paredes de vidro
Eu gritava
Debatia contra as paredes de vidro.
Perdi o senso, a noção das palavras
Perdi o juizo e a razão de mim para mim mesmo
Eram transparentes, mas de que adiatavam?
Se me calavam e não me respondiam...
Nem se quer se trincavam para o meu desespero
Depois de cortar meu dedo, percebi que havia uma fratura
E que o vidro, é a única coisa que te emudece, corta e até mata, sem perder sua única e grande virtude: a transparência.
Debatia contra as paredes de vidro.
Perdi o senso, a noção das palavras
Perdi o juizo e a razão de mim para mim mesmo
Eram transparentes, mas de que adiatavam?
Se me calavam e não me respondiam...
Nem se quer se trincavam para o meu desespero
Depois de cortar meu dedo, percebi que havia uma fratura
E que o vidro, é a única coisa que te emudece, corta e até mata, sem perder sua única e grande virtude: a transparência.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Estácio Holly Estácio

Se alguém quer matar-me de amor
que me mate no estácio
bem no compasso
bem junto ao compasso
do pacista da escola de samba
do largo do estácio
Estácio acalma o sentido
dos erros que faço
trago, não traço
faço, não caço
o amor da morena maldita
domingo no espaço
Fico manso e amanso a dor
hollyday é um dia de paz
solto o ódio, mato o amor
hollyday eu já não peço mais
Composição: Luiz Melodia
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Quando ela foi pra Vênus

No fim da tarde, ligou o carro, colocou um mantra e foi. Com óculos escuros foi tomando o caminho para fora da cidade em busca de paz. Chegou num lugar interessante, cheio de bonitas árvores, uma brisa acalentadora. Queria poder abraçar o mundo naquele instante. Tirou delicadamente os sapatos, enfiou os pés na terra e ali ficou por duas horas. Já estava pronta para ir. Para sair deste mundo. Era hora de ir pra imaginação. A passagem para lá é a morte daqui. Virou-se Eva, Messalina, Elizabeth, Joana D'arc, negra Anastácia e Iemanjá.
Depois com olhos perolados deixou que o mar invadisse toda a paisagem. Varrer o mundo era preciso. Permitiu-se ser a melhor força feminina do universo.
De mãos dadas com Deus ficou o adeus de que aqueles dias seriam os fiapos de eternidade que estaria por vir. De mirabolantes alegrias.
Depois com olhos perolados deixou que o mar invadisse toda a paisagem. Varrer o mundo era preciso. Permitiu-se ser a melhor força feminina do universo.
De mãos dadas com Deus ficou o adeus de que aqueles dias seriam os fiapos de eternidade que estaria por vir. De mirabolantes alegrias.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Nada literário
Muitas vezes procuro na escrita o conforto do meu dia, do meu ser. Não tenho vocação para ser escritor. Além desta não-vocação, pergunto se tenho vocação para alguma coisa. Com apenas 26 anos tenho tido preocupações banais para a idade. Em época em que a preocupação com a vaidade, com o futuro e coisas assim caminho por um lado e vejo-me ocupado de pensamentos para o amanhã; do outro lado a minha geração muito contente com o hoje, com a mentira do Carpe Diem que de fato não existe. Estou eu desalinhado com meu tempo? Quando eu me fiz esta pergunta nesta manhã, não consegui conter-me. Chorei e devo ainda hoje chorar mais um pouco. É hora de renunciar o que eu tenho planejado, aceitar certas condições e seguir? Ou devo ainda chorar uns dias mais e insistir nestas convicções? A dimensão da lógica tempo me agonia. Certifico-me de imensa segurança de que não estou nesta vida a passeio. Agregada a esta afirmativa tem o fato de que preciso de beijos, abraços, um sorriso motivador... De um outro alguém. E onde vou ou posso chegar? O que eu posso fazer por mim? Não sei. Preocupo-me quando começo a escrever demais.
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