quarta-feira, 28 de março de 2012

Minuta para o pequeno-grande notável

Quem tão pequeno vê
não ressente tuas tempestades
Voa tuas sombrinhas ao ar e diz:
Ser mais para ser sempre


Para Luan do Carmo

Santeria

Deus te fez grande
Para brilhar diante dos pequenos

Apronte tuas armas
Suba na cavalaria de Jorge
E vá, até a lua. Teu pai te espera

Mergulha de manhã nas águas de tua mãe
fecunde diante dela teus agrados de ouro
De louvável coração

Saia em ciranda
no meio das crianças
Tão pequeno como elas
Tão maior em todas elas
Tão querido entre elas
Não há de ser
menos querido em todas as cores
das quais regalo em vós
Instantes de felicidade


Para meu afilhado Clayton Amaral

Olhos Cristalinos



Quem tem olhos tão teus
Tem as lentes da vida celebrante
pulsantes

Quem tem teus olhos ó Deus
Tem mais cor
Mais carinho, mais cantinho

De teus olhos, tuas fotografias
recortam em mim
As palavras perfeitas,
A síntese das madrugadas
Os livros doces ou amargos

Mas tem teus olhos
em mim
Bálsamo salutar
Para de ti gostar, um tantinho mais!



Para meu amigo Marco Aurélio

segunda-feira, 5 de março de 2012

Consolato

Caminho
Sozinho
Sem ter tempo de chorar
Mas que lá
Onde o sol mais brilhante que o habitual
terá toda sua radiação em favor
daquilo que me motivou as dores
os espinhos
E coroado de alegria
Poderei simplesmente negar aqueles os quais
Foram vermes neste trânsito

Peso e renúncia são posições coadjuvantes
Mas a conquista...
Tão leve quanto o beijo de uma criança.

Esgoto-me para renascer
Mas não esquecer
de que se sozinho até aqui
Para do lado de lá
Minhas escolhas
Cortantes.... como são agora

Não vou hesitar. Promessa pessoal

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Quem sabe não sou eu mesmo?

Colocar os dedos sobre este teclado. Começar a escrever é como se desfiasse aos poucos, os fios da minha estima. Um oco silêncio reverbera nos meus ouvidos, e uma aritmia fora de hora me contempla minutos de uma ansiedade parada. Estática.
Escrevo como um último recurso, para uma apreciação de mim mesmo, uma tentativa especular de me ver por dentro. Ou de me achar ridículo, ou de me achar um constante errante.
Pela primeira vez acho muito sérias as minhas palavras. Com medo delas. E eu acho que choro com tanta sinceridade que sinto as lácrimas tocando os meus pés.
A fragilidade humana tomou conta de mim, nesta fraçãozinha de hora.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Delicatesse

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sábado, 23 de julho de 2011

Navalha das Nove Horas

Olhos lacrimenjantes
Manhã cerrada com a navalha de verdades
Era para me lastimar mesmo aquelas palavras?

Não tem recorte modesto
Quando vejo que do amor ao asco é um segundo
Um segundo pra mudar
Um dia inteiro de vãs expectativas

E o café desceu amargo
Mais que o usual
e olhava no espelho e pensava: poderia ir mais além?

Enfiou as mãos dentro do espelho
Tocou na propria face e se deu carinho
E sorriu mais uma vez.

Saiu e foi para a janela
Ver o sol desta era, de gente medrosa e doente
O mundo movimentava conforme seu atraso
Mas eu aponto o lápis e viro a página

Ainda sem tempo para escrever...
Sem o tempo para reescrever
Mas com o tempo de ver

Que do lado de lá, tem as flores cintilantes que me abrem as portas para o amanhã. Com um pouco mais de glória.