segunda-feira, 5 de março de 2012

Consolato

Caminho
Sozinho
Sem ter tempo de chorar
Mas que lá
Onde o sol mais brilhante que o habitual
terá toda sua radiação em favor
daquilo que me motivou as dores
os espinhos
E coroado de alegria
Poderei simplesmente negar aqueles os quais
Foram vermes neste trânsito

Peso e renúncia são posições coadjuvantes
Mas a conquista...
Tão leve quanto o beijo de uma criança.

Esgoto-me para renascer
Mas não esquecer
de que se sozinho até aqui
Para do lado de lá
Minhas escolhas
Cortantes.... como são agora

Não vou hesitar. Promessa pessoal

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Quem sabe não sou eu mesmo?

Colocar os dedos sobre este teclado. Começar a escrever é como se desfiasse aos poucos, os fios da minha estima. Um oco silêncio reverbera nos meus ouvidos, e uma aritmia fora de hora me contempla minutos de uma ansiedade parada. Estática.
Escrevo como um último recurso, para uma apreciação de mim mesmo, uma tentativa especular de me ver por dentro. Ou de me achar ridículo, ou de me achar um constante errante.
Pela primeira vez acho muito sérias as minhas palavras. Com medo delas. E eu acho que choro com tanta sinceridade que sinto as lácrimas tocando os meus pés.
A fragilidade humana tomou conta de mim, nesta fraçãozinha de hora.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Delicatesse

[link=http://www.musicas-especiais.com][red]Bebel Gilberto - Samba Da Benção[/red]
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sábado, 23 de julho de 2011

Navalha das Nove Horas

Olhos lacrimenjantes
Manhã cerrada com a navalha de verdades
Era para me lastimar mesmo aquelas palavras?

Não tem recorte modesto
Quando vejo que do amor ao asco é um segundo
Um segundo pra mudar
Um dia inteiro de vãs expectativas

E o café desceu amargo
Mais que o usual
e olhava no espelho e pensava: poderia ir mais além?

Enfiou as mãos dentro do espelho
Tocou na propria face e se deu carinho
E sorriu mais uma vez.

Saiu e foi para a janela
Ver o sol desta era, de gente medrosa e doente
O mundo movimentava conforme seu atraso
Mas eu aponto o lápis e viro a página

Ainda sem tempo para escrever...
Sem o tempo para reescrever
Mas com o tempo de ver

Que do lado de lá, tem as flores cintilantes que me abrem as portas para o amanhã. Com um pouco mais de glória.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Paredes de vidro

Eu gritava
Debatia contra as paredes de vidro.
Perdi o senso, a noção das palavras
Perdi o juizo e a razão de mim para mim mesmo

Eram transparentes, mas de que adiatavam?
Se me calavam e não me respondiam...
Nem se quer se trincavam para o meu desespero

Depois de cortar meu dedo, percebi que havia uma fratura


E que o vidro, é a única coisa que te emudece, corta e até mata, sem perder sua única e grande virtude: a transparência.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Estácio Holly Estácio


Se alguém quer matar-me de amor
que me mate no estácio
bem no compasso
bem junto ao compasso
do pacista da escola de samba
do largo do estácio

Estácio acalma o sentido
dos erros que faço
trago, não traço
faço, não caço
o amor da morena maldita
domingo no espaço

Fico manso e amanso a dor
hollyday é um dia de paz
solto o ódio, mato o amor
hollyday eu já não peço mais


Composição: Luiz Melodia

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Quando ela foi pra Vênus


No fim da tarde, ligou o carro, colocou um mantra e foi. Com óculos escuros foi tomando o caminho para fora da cidade em busca de paz. Chegou num lugar interessante, cheio de bonitas árvores, uma brisa acalentadora. Queria poder abraçar o mundo naquele instante. Tirou delicadamente os sapatos, enfiou os pés na terra e ali ficou por duas horas. Já estava pronta para ir. Para sair deste mundo. Era hora de ir pra imaginação. A passagem para lá é a morte daqui. Virou-se Eva, Messalina, Elizabeth, Joana D'arc, negra Anastácia e Iemanjá.
Depois com olhos perolados deixou que o mar invadisse toda a paisagem. Varrer o mundo era preciso. Permitiu-se ser a melhor força feminina do universo.
De mãos dadas com Deus ficou o adeus de que aqueles dias seriam os fiapos de eternidade que estaria por vir. De mirabolantes alegrias.