quinta-feira, 11 de julho de 2013

Veredas

No mundo existem várias opções de amor. E somente duas formas de tê-lo: ou ele acontece, ou você escolhe. Era uma regra. Mas o que dizer quando alguém milita uma forma de amar com você? Nos espaços da rua, nas multidões, no cinema, nas manhãs burocráticas. Algumas pessoas tem essa capacidade de desenhar as paisagens da minha imaginação mas nem todos permanecem. Mas e se permanece? Não seriam minhas imagens transformando-se em falésias ou relevos de felicidade? Depois de muito tentar você descobre que são planícies. Tão vitais quanto oxigênio, hidrogênio em ligações que não são nem iônicas, nem covalentes, mas platônicas.Apesar dessas reações, dessa alquimia só posso vê-lo assim como vejo a mim mesmo. De outras tantas formas vou educando a cabeça para amar sem conceber. Porque assim prevalece, sempre branco, sempre alvo, sempre inocente, adolescente romântico incorrigível. Minha química que não alcança suas veredas. Em águas tão profundas, vamos navegando raso. Para o barco não virar.


Para Ademir

terça-feira, 2 de julho de 2013

Tudo que eu te desejo Baby...

Até então parecíamos desses casais de comercial de margarina. Eram manhãs lindas demais, muito sol, risadas altas que cortavam o silêncio dos domingos. Sempre ouvindo alguns rocks, e entre um beijo e outro um sorriso (detalhe este que é o mais charmoso do universo!). Era assim.
Depois de intempestivos dias de não sei o quê, de filosofias da neurose, do espaço doentio da cidade, de contravenções da felicidade a música parou de tocar. Eu vestia uma camiseta com os dizeres "Baby, I Love You" e sempre mostrava. Mas nenhuma resposta. Parecia somente um "obrigado". Do alto do prédio jogava flores. Que bom que elas serviram aos protestos na rua. No meio destes manifestos fiz meu cartaz com os seguintes escritos: "Não são pelas manhãs do domingo, são pelos outros seis dias de beijos de risinho aberto." Tanta gente solidária aos meus apelos, menos você. Passei a escrever no relento, ao meio-dia, na parada de ônibus, no alto do prédio. Até a exaustão. Para aliviar minhas pressões desse amor hipotecado agora de um não-querer. Não somos proprietários um do outro, mas morava aqui comigo saudades antecipadas de um futuro que não cheguei a ver. Não tem problema: o amor quando se desdenha pode até aplacar a dor, mas vigora sempre um quê de esperança. Eu sou das antigas, ultrapassado. Um fragmento do tempo que ficou aqui pausado no conceito de amar. Com licença, preciso voltar a escutar Gal, cantando só para mim, Baby.

Para acompanhar na leitura...

https://www.youtube.com/watch?v=D0W2tbTrKLw